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A NECESSIDADE AINDA URGENTE DE CONSCIÊNCIA NEGRA.

Texto: Alessandra Nicteroy - Professora de Arte e Expressão

20 de novembro, é um dia para falar de Brasil, para pontuar que todos os brasileiros precisam ter acesso ao conhecimento histórico dos povos e culturas que nos constituem.


Há apenas 131 anos da abolição oficial da escravidão, ainda precisamos resistir à escravidão cultural e sua reverberação nas relações interpessoais e políticas que se dão de maneira racistas em tantos momentos.


Mas pra falar de racismo no Brasil, precisamos falar em Epistemicídio, o homicídio programado da cultura negra, a desvalorização de todo o conhecimento proveniente dos povos pretos e a invenção cultural de que a cultura dessas populações e logo, elas mesmas, são inferiores, afim de legitimar apenas os conhecimentos eurocentralizados, ou seja, toda a visão de mundo, religião, ciência, cultura não Européia é deslegitimada nesse processo.


O epistemicídio negro ocorreu no momento em que essas populações foram trazidas para o Brasil a força e submetidas ao processo de escravidão, de desumanização, e é graças às deturpações e falta de conhecimento a respeito dessas culturas que ainda produzimos racismo, justamente a crença equivocada na superioridade de uma cultura, em relação a outra.


Para chegarmos ao esperado dia em que não precisemos mais de uma data específica para tomar consciência da negritude em nós e em nossa cultura, é preciso ressuscitar com horizontalidade a cultura e produção de conhecimento negra.


A história Brasileira, nossa formação cultural, a arte negra, a cultura negra, a filosofia negra, não é apenas circunstancial na AEN, tratadas de forma pontual, mas uma pratica constante em nosso convívio. Em 2019, desenvolvemos esse projeto durante todo o ano dentro do conteúdo programado. É um projeto de Brasil entender nossa origem e ancestralidade, ouvir as histórias passadas de geração a geração, de nação a nação até a nossa, estudar os eventos e lutas que nos definiram étnica e culturalmente. A educação nunca nos foi tão cara e urgente pois a falsificação da história é a principal estratégia de manipulação para repeti-la com o aval da desinformação.


Vale ressaltar que a data escolhida, 20 de novembro é uma conquista recente que homenageia Zumbi dos Palmares, um dos líderes do Quilombo dos Palmares, morto neste dia numa emboscada. No Quilombo dos Palmares, havia uma maioria de negros mas também alguns mestiços e indígenas, chegando a abrigar cerca de 20 mil pessoas, que ali moravam e resistiram.


Num momento em que a diferença se faz politicamente tão problemática, é preciso manter viva a história das diferenças culturais que nos forjaram como nação.


É preciso aprender com as diferenças, conhecer o outro. E para nos remeter ao conceito filosófico Zulu que norteou nosso ano pedagógico, Ubuntu não é sobre pretendermos ser todos iguais mas acima de tudo, sobre a importância do outro na construção individual e coletiva.


Viva todas as nossa matrizes e matizes!

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